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BRASIL NA ROTA INVERSA DOS CRUZEIROS MARÍTIMOS

Luxury cruise ship


O primeiro navio de Cruzeiro a atravessar os 150 quilômetros entre Estados Unidos e Cuba chegou a Havana no dia 2 de maio deste ano para reiniciar um intercâmbio cultural interrompido havia 50 anos. Por enquanto, os Cruzeiros atracarão em vários portos cubanos duas vezes por mês, num processo gradual de reaproximação. A expectativa é de que a frequência aumente muito no futuro, segundo a CLIA – Cruise Lines International Association.

Na Australásia (também conhecida como Ásia do Sul, região que inclui Austrália, Nova Zelândia, Nova Guiné e algumas ilhas menores da parte oriental da Indonésia), a associação comemora um excepcional crescimento: o número anual de passageiros aumentou mais de seis vezes em apenas uma década e vai ultrapassar a marca de um milhão este ano, depois de fortes investimentos em infraestrutura, principalmente em terminais de passageiros, para oferecer maior conforto em seus portos.

Aqui na América do Sul, a notícia é o avanço do Chile, que há três anos decidiu reduzir os impostos para as companhias que atracarem em seus portos e ainda lançou uma promoção do tipo leve três e pague dois. Quanto mais os navios atracam, maior o desconto. Se a companhia atracar em três portos, por exemplo, terá um desconto de 80%. Mais ainda: se consumir produto nacional – como combustível – terá mais um abatimento na contribuição.

E assim os exemplos vão se reproduzindo ao redor do mundo, à medida que os países descobrem os enormes benefícios que agregam às suas economias com os Cruzeiros Marítimos – pelos milhares de turistas estrangeiros dispostos a gastar em suas cidades ou pela venda de insumos, como combustível, alimento e bebida. Nenhum país está disposto a abrir mão desse incremento ao turismo local.

Países que antes nem apareciam no ranking mundial da atividade, como a China, hoje escalam posições e tentam se tornar estrelas mundiais num cenário dominado ainda pelo Caribe e pela Europa, especialmente sua parte mediterrânea.

Só mesmo o Brasil continua a navegar na contramão desse enorme crescimento dos Cruzeiros Marítimos em todo o mundo. O País não soube aproveitar a maré de crescimento da temporada 2010/2011, quando vieram vinte navios e transportaram quase 800 mil pessoas, com uma incrível arrecadação para os cofres da Nação.

Na próxima temporada, 2016/2017, serão apenas sete navios e cerca de 380 mil passageiros. A atividade encolhe no Brasil, uma vez que as armadoras preferem buscar outros destinos mais favoráveis em seu ambiente de negócios.

Falta de competitividade decorrente dos altos custos e impostos, legislação ultrapassada, falta de infraestrutura e outros quesitos fazem com que o mercado de Cruzeiros Marítimos no Brasil siga na rota inversa do mercado mundial. Mas o Chile adota um modelo que poderia ser aplicado aqui no Brasil, ou pelo menos tomado como exemplo para a implantação de outro tipo de incentivo.

Estimula, inclusive, que as atracações aconteçam nas mais diversas cidades do destino. Este deveria ser o posicionamento do governo em relação às atividades econômicas: incentivar, em vez de afugentar. As armadoras calculam que os custos operacionais no Brasil são 35% mais caros do que outros países, aí incluídas despesas portuárias, com pessoal, praticagem e etc – o que torna o negócio pouco rentável – e, mais recentemente, quase impraticável – para essas empresas.

É por isso que abrimos negociações com Argentina, Chile e Uruguai para adotar medidas conjuntas que venham estimular os Cruzeiros nas rotas do Cone Sul. A ideia é buscar reduzir taxas portuárias, impostos e todo tipo de legislação que facilite e incentive o retorno dos navios para a América do Sul, que ocupa a última colocação em número de passageiros, com apenas 2,7% do mercado mundial. Os números apontam para uma queda e comprovam que o Brasil e outros países sul-americanos perderam cruzeiros para esses destinos.

Uma pena: o Fórum Econômico Mundial destaca nosso País como o número 1 no mundo no item de recursos naturais; o que significa alto grau de competitividade turística e boa parte dos atrativos se concentra no litoral. Estamos perdendo oportunidades: o segmento de cruzeiros traz R$ 2 bilhões para a economia brasileira. Além disso, estamos deixando de gerar dez mil empregos num momento em que o país busca alternativas para a retomada da economia.

O que falta para que tudo isso seja percebido?

* Marco Ferraz é presidente da CLIA Abremar Brasil – Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos

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