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O IMPACTO DOS CRUZEIROS MARÍTIMOS NO PAÍS

O Brasil arrecadou um bom dinheiro com a temporada 2015/2016 de Cruzeiros Marítimos: entre gastos das armadoras, de cruzeiristas e de tripulantes, foram deixados R$ 1,911 bilhão para a economia nacional nos seis meses em que dez navios cruzaram a costa brasileira e sul-americana. Aliás, o Brasil sempre tem lucro com os cruzeiros – e essa arrecadação vai de taxas e impostos aos fornecedores de alimentos e bebidas.

Mas não foi uma receita extraordinária. O valor foi 10,8% menor que a temporada anterior (R$ 2,142 bilhões) e vem caindo desde a temporada dos anos 2010/2011, quando o sucesso dessa atividade atingiu o pico.

Entretanto, com o – ainda – alto Custo Brasil, a falta de investimentos em reformas de portos, e a burocracia, entre outros entraves, as armadoras optam por desviar seus navios para outros países em que o ambiente de negócios é mais favorável. E é uma pena, pois nosso País deixa de aproveitar mais essa oportunidade e a entrada de divisas é um bom negócio para todas as nações, especialmente em momentos de crise.

Os resultados da temporada 2015/2016 foram apresentados no último “Estudo de Perfis e Impactos Econômicos no Brasil”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas a pedido da CLIA Brasil – Cruise Lines International Association. Esse estudo serve de instrumento orientador de políticas públicas do segmento, de forma a mostrar todos os benefícios da atividade para o País.

Do lado das armadoras, os impactos para a economia brasileira (R$ 798 milhões) foram distribuídos em comissionamento para operadoras e agências de turismo, combustíveis, salários pagos, fornecedores de alimentos e bebidas, marketing, excursões e escritórios, água e lixo, taxas e impostos – em 2015/2016, o valor pago em impostos foi de R$ 126,7 milhões, contra R$ 159,3 milhões do ano passado.

Cruzeiristas e tripulantes gastaram R$ 1,113 bilhão em comércio varejista, transporte antes, durante e após a viagem, alimentos e bebidas (esse, o maior gasto, com R$ 349,9 milhões), além de passeios turísticos e hospedagem antes ou após o cruzeiro.

É importante registrar que foram 552.091 os cruzeiristas embarcados na última temporada – 83% de brasileiros e 17% de estrangeiros. Número 0,4% maior que o da temporada anterior, que ficou em 549.619. Essa diferença demonstra que o interesse dos brasileiros pelos Cruzeiros Marítimos continua alto, uma demanda reprimida crescente à medida que as armadoras reduzem a oferta de leitos em nosso País.

Mas não é só na área da receita que o Brasil perde com a movimentação menor dos navios. Na geração de empregos também. Num País com doze milhões de desempregados, essa é uma má notícia. O setor de Cruzeiros Marítimos gerou 30.884 postos de trabalho na economia nacional na temporada 2015/2016, resultado 5,6% inferior ao apurado na anterior.

Do total de empregos criados, 2.497 foram de tripulantes dos navios e os outros 28.387 de forma direta, indireta e induzida, motivados pelos gastos dos turistas nas cidades portuárias de embarque/desembarque e visitadas, mais as vagas abertas na cadeia produtiva de apoio ao setor.

Essas informações confirmam que o Brasil está na contramão do crescimento dessa indústria no plano internacional. Até o final do ano, os Cruzeiros Marítimos devem ampliar em 4,3% o número de viajantes em relação a 2015, com uma receita estimada de aproximadamente U$ 120 bilhões. Os brasileiros participam desse crescimento mundial: em 2015, as armadoras presentes no Brasil enviaram 133.366 turistas para viagens fora do País, gerando uma receita de R$ 267,4 milhões. Os agentes de viagem sabem que essa é uma boa estratégia: se o número de oferta de leitos diminui no país, abre-se um enorme leque de possibilidades de grandes passeios pelos portos mais importantes do planeta.

Os brasileiros se apaixonam por viagens em transatlânticos nos mais variados tipos de roteiros. O estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que 86,7% dos cruzeiristas pesquisados gostariam de embarcar novamente – 28,6% pela costa brasileira, 35,8% para destinos internacionais e 22,3% para destinos nacionais ou internacionais.

A CLIA Brasil continua a sua luta em todas as frentes para remover as dificuldades que emperram o desenvolvimento de uma atividade tão lucrativa. Entre as barreiras estão altos custos de operação (portos, taxas e praticagem), falta de estrutura adequada nos portos (píers, batimetria e outros), carga tributária, regulação (trabalhista, vistos, sindicatos, meio ambiente etc), burocracia e falta de novos destinos. Além do mais, o momento político e econômico ainda não é totalmente favorável.

Esse retrato dos Cruzeiros Marítimos vem provar, mais uma vez, que há um espaço enorme para a ampliação da atividade no País. Mas precisamos contar – como sempre contamos, com a determinação das autoridades para modernizar o Brasil e colocá-lo, novamente, na lista dos maiores destinos dos navios.

 

*Marco Ferraz é presidente da CLIA Brasil – Cruise Lines International Association.

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